A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou por 6 votos a 3 as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre importações, poupando 46% do valor das exportações brasileiras que estavam sob ameaça de sobretaxa. A decisão, contudo, não alcança os produtos siderúrgicos: aço e alumínio continuam sujeitos a uma sobretaxa de 50%, mantendo pressão direta sobre a indústria brasileira. A reunião bilateral entre Lula e Trump segue sem data após o cancelamento gerado pela revogação do visto do assessor americano Darren Beattie.
O Brasil é um dos maiores exportadores de aço e alumínio para os Estados Unidos, e as tarifas de 50% sobre esses produtos representam perda concreta de competitividade da indústria nacional frente a concorrentes que operam com tarifas menores ou têm acordos bilaterais firmados com Washington. A decisão da Suprema Corte americana foi fundamentada em limites constitucionais ao poder executivo de impor tarifas unilaterais — argumento que pode reabrir disputas sobre outros produtos se Trump tentar reimpor as taxas por via legislativa. O cenário comercial entre Brasil e EUA permanece instável, agravado pelo vácuo diplomático causado pelo cancelamento da reunião Lula-Trump.
O Brasil saiu bem na Suprema Corte americana, mas entrou mal pela porta da diplomacia. Enquanto Washington decidia poupar 46% das exportações brasileiras, Brasília revogava o visto de um assessor de Trump e enterrava a agenda bilateral. O resultado concreto: aço e alumínio continuam pagando 50%, a reunião Lula-Trump não tem data e o setor industrial espera. A Suprema Corte americana fez mais pelo exportador brasileiro nos últimos dias do que o Itamaraty.


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