Três pesquisas divulgadas na semana de 23 de março consolidam o que os dados vinham antecipando há meses: Lula e Flávio Bolsonaro estão em empate técnico no segundo turno das eleições de 2026. A Quaest marca 41% a 41%. O AtlasIntel registra Flávio numericamente à frente, com 46,3% contra 46,2% de Lula. O Paraná Pesquisas indica Flávio à frente pela primeira vez. A diferença, que era de 15 pontos há três meses, caiu para 3.
O colapso da vantagem de Lula tem explicação estrutural: o presidente perdeu 9 pontos percentuais entre o eleitorado de esquerda — sua base eleitoral histórica — nos últimos três meses. A combinação de inflação persistente, câmbio desfavorável e percepção de que o governo priorizou articulação política e judicialização sobre entregas concretas corroeu o entusiasmo do eleitor progressista. Flávio Bolsonaro se beneficia diretamente da solidificação do voto bolsonarista em torno de seu nome, após o impedimento eleitoral do pai, e começa a colher dividendos entre eleitores do centro político que buscam alternativa ao petismo.
Lula chegou ao terceiro mandato com 50,9% dos votos e hoje empata com o filho de seu principal adversário político. Isso não é conjuntura — é colapso de narrativa. O eleitor de esquerda que abandonou Lula não foi para a direita: foi para a abstenção, para a decepção. Um governo que prometeu reconstrução e entregou crise cambial, judicialização eleitoral e troca de ministro às vésperas do ciclo eleitoral não pode se surpreender com as pesquisas. O dado mais relevante não é o empate — é os 9 pontos perdidos na própria casa.


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