O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o Banco Master de “ovo de serpente” da gestão Bolsonaro em evento público realizado em Brasília, responsabilizando diretamente o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pela autorização que permitiu a Daniel Vorcaro assumir o controle da instituição em 2019. A declaração ocorre enquanto a crise do banco se agrava: a instituição acumula R$ 17 bilhões em títulos de dívida de origem suspeita.
O Banco Master está no epicentro de uma das maiores crises do sistema financeiro brasileiro em anos. Fundado originalmente como banco de nicho, a instituição expandiu exponencialmente sob o controle de Vorcaro após 2019, acumulando passivos que hoje preocupam o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o Banco Central. A investigação em curso apura se a expansão do banco foi sustentada por estruturas de lavagem de dinheiro e se houve favorecimento político na concessão das autorizações regulatórias pelo BC durante a gestão Bolsonaro. Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026 e negocia delação premiada com a PGR.
Lula é hábil na construção da narrativa — e a metáfora do “ovo de serpente” funciona politicamente. Mas o presidente que denuncia o ovo tem a obrigação de explicar por que o FGC, sob supervisão do Banco Central atual, demorou tanto a agir sobre R$ 17 bilhões em títulos suspeitos. Culpar Campos Neto resolve o problema eleitoral de 2026; resolver a crise do Master exige respostas que Lula ainda não deu sobre o que o seu governo fez — ou deixou de fazer — enquanto o banco continuava operando.


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