O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Fernando Haddad do Ministério da Fazenda e nomeou Dario Durigan como seu substituto, em decreto publicado no Diário Oficial da União em 20 de março. A mudança tem motivação eleitoral explícita: Haddad é o principal nome do PT para disputar o governo do estado de São Paulo em 2026, e a desincompatibilização antecipada consolida essa estratégia.
Dario Durigan tem 41 anos, é bacharel em direito e economista com passagem pelo setor privado de tecnologia — foi chefe de políticas públicas do WhatsApp para a América Latina antes de assumir a secretaria-executiva do próprio Ministério da Fazenda, cargo que o torna tecnicamente o substituto natural de Haddad. Durigan é considerado um perfil técnico e alinhado à linha de Haddad, o que garante continuidade à política fiscal do governo. A nomeação ocorre em um momento sensível: a economia brasileira enfrenta pressão sobre o câmbio, déficit primário e desconfiança do mercado em relação ao cumprimento do arcabouço fiscal nos próximos dois anos.
Lula escala um ex-executivo do WhatsApp para gerir a Fazenda no momento em que o Brasil precisa de credibilidade fiscal. Durigan pode ser competente — mas a mensagem enviada ao mercado é que a grande preocupação do Palácio do Planalto é a eleição de São Paulo, não a inflação nem o câmbio. Haddad saiu, a dívida ficou, e quem paga a conta é o contribuinte que assiste ao governo reorganizar seu tabuleiro eleitoral enquanto o dólar não dá sinal de recuo.


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