Renan Santos, do Partido Missão (ex-MBL), alcançou a terceira posição nas intenções de voto para presidente com 4,4%, ultrapassando nomes como Caiado e Zema. Entre jovens de 16 a 24 anos, o número dispara: 18,6% — à frente de Flávio Bolsonaro (16,4%). Os dados são da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (25/03).
Os números que ninguém esperava
A pesquisa AtlasIntel, com amostra de 5.028 entrevistados e margem de erro de 1 ponto percentual, mostra um crescimento acelerado de Renan Santos em relação ao Datafolha de início de março: saltou de 3% para 4,4% na intenção geral (+47%) e de 10% para 18,6% entre a Geração Z (+86%). Em apenas duas semanas, o fundador do MBL quase dobrou sua penetração no eleitorado jovem.
No recorte de 16 a 24 anos, o ranking da AtlasIntel ficou assim: Lula com 33,5%, Renan Santos com 18,6%, Flávio Bolsonaro com 16,4%, Ratinho Jr. com 13,1% e Tarcísio de Freitas com 8%. Renan não apenas ultrapassou todos os governadores — está à frente do principal nome da família Bolsonaro entre os eleitores que vão decidir as próximas três décadas de política brasileira.
A fórmula do crescimento
O crescimento de Renan não é acidental. Nos últimos meses, o Partido Missão adotou uma estratégia agressiva de presença digital: lives diárias, confronto direto com adversários da própria direita e uso intensivo do algoritmo do X e YouTube. Em 19 de março, Renan chamou Flávio Bolsonaro de “ladrão” publicamente, acusando-o de representar a “direita corrupta” envolvida com milícias e rachadinha. O ataque viralizou e consolidou o posicionamento de “direita limpa vs. direita corrupta”.
Analistas comparam a tática com a estratégia de Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024 — confronto permanente, linguagem direta, presença digital obsessiva. A ironia: o MBL foi um dos maiores críticos de Marçal durante aquela campanha. Agora replica exatamente a mesma fórmula.
Análise Brasil XIV
Os números da AtlasIntel revelam algo que o establishment político ainda não processou: a direita jovem está migrando de Flávio para Renan. Com 18,6% contra 16,4% na Geração Z, Renan já é o candidato de direita preferido dos eleitores que vivem no X, no YouTube e no TikTok — exatamente o ecossistema que elegeu o pai de Flávio em 2018.
O problema para o PL é estrutural: Renan cresce entre os jovens no mesmo ritmo em que Flávio perde credibilidade com essa faixa etária. A “tática do barulho” funciona porque o público digital reconhece autenticidade no confronto — algo que um senador que vota a lei mais feminista do Brasil para reduzir rejeição entre mulheres simplesmente não consegue simular. A pergunta já não é se Renan é viável. É quanto tempo Flávio aguenta perder o eleitorado que inventou o bolsonarismo.
