O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar determinando a prorrogação da CPMI do INSS por mais 120 dias. O Senado tinha até 48 horas para formalizar o pedido — caso contrário, a comissão se autoprolongaria. O plenário virtual do STF ficou marcado para 3 de abril. A CPMI, que encerraria em 28 de março, já produziu um relatório de 5 mil páginas e indiciou mais de 200 pessoas, entre elas Lulinha, filho do presidente da República.
A CPMI do INSS apurou esquema de desvios bilionários na previdência social, com ramificações que chegam até o núcleo do governo Lula. O volume de indícios levantado pelos parlamentares exige continuidade dos trabalhos. Alcolumbre, presidente do Senado, se viu diante de um ultimato judicial: agir ou deixar a comissão se autoprorrogar por força do STF. A decisão de Mendonça — ministro do campo conservador, indicado por Bolsonaro — surpreendeu por sua contundência.
Análise editorial: O governo Lula torcia pelo encerramento da CPMI em 28 de março. Não vai conseguir. A intervenção de Mendonça é um soco na estratégia petista de enterrar as investigações antes das eleições de 2026. Com o nome do filho do presidente entre os 200 indiciados e 5 mil páginas de evidências, qualquer tentativa de abafar o relatório vai custar caro politicamente. O STF, desta vez, agiu a favor da accountability.

