Brasil XIV

Vorcaro assina delação que pode atingir ministros do STF

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde 4 de março, assinou em 19 de março termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República — etapa inicial e obrigatória antes da formalização de uma delação premiada. Advogados que acompanham o caso estimam que as revelações podem atingir ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares em exercício e servidores de alto escalão do governo federal.

Vorcaro é o controlador do Banco Master, instituição financeira que acumula R$ 17 bilhões em títulos de dívida de alto risco e está no centro de uma das maiores crises do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. A prisão preventiva, decretada em março, é resultado de investigações que envolvem suposta lavagem de dinheiro, desvio de recursos e uso de estruturas financeiras para favorecer agentes políticos. A etapa do termo de confidencialidade é tecnicamente a antessala da colaboração efetiva: a partir daí, o delatado começa a fornecer informações ao Ministério Público em troca de benefícios penais. A PGR e a PF mantêm sigilo total sobre o conteúdo das tratativas.

Um banqueiro com R$ 17 bilhões em títulos suspeitos não chegou tão longe operando sozinho. Se os próprios advogados de Vorcaro já antecipam que a delação pode atingir ministros do STF, a pergunta que o Brasil precisa fazer não é “se” — é “quem” e “por quanto tempo esse esquema funcionou protegido”. A delação premiada, instrumento que já derrubou presidentes e senadores no passado, pode ser desta vez a mais explosiva da história recente. A Corte que tanto se preocupou em trancafiar Bolsonaro deveria se preparar para responder às suas próprias inconsistências.


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